Algum tempo atrás eu mesma tinha uma idéia equivocada sobre o feminismo. Pois achava que quem se entitulava feminista estaria se igualando e cometendo os mesmos erros dos machistas.
Mas hoje tenho uma visão totalmente diferente sobre o fato. Entendi que o feminismo não é o contrário de machismo, e sim sua negação. Portanto o feminismo não carrega todo o "peso" do machismo. Feministas lutam por direitos iguais. Não querem ter "mais" direitos do que ninguém, como é o caso do machismo. Mulheres querem apenas IGUALDADE.
Eu senti a necessidade de entender o feminismo, porque senti também o femismo surgindo e agindo por mim.
Percebi na verdade, que ele sempre esteve presente na minha vida, desde a infância. Mas só hoje me dei conta. Fui daquelas meninas que não admitiam que me dissessem que eu não poderia fazer algo por ser "menina", e com isso eu tinha mais vontade ainda de fazer. Até mesmo nas brincadeiras, fazia muitas coisas "de menino". Odeio essa história: "Isso é de menino, isso é de menina".
Na verdade acho que minha vida caminhou sempre em "sentido oposto" da maioria, em tudo o que eu fiz.
Quando criança adorava ajudar meu avô com suas bugigangas e ferramentas, sempre gostei de esportes (bem antigamente, mulheres não praticavam esporte, pois era coisa de homem), bom, eu me formei em Educação Física. Também usei boné, joguei bola e andei de skate. E quem me conhece hoje, sabe o que eu faço pra ganhar a vida.
Um belo dia ouvi de uma pessoa muito querida, que certas coisas, quem tinha que fazer era "a mulher". Talvez porque "homens" simplesmente não são capazes?! Sei lá, isso ficou na minha cabeça. Pois hoje em dia as mulheres são capazes de fazer tanta coisa que antes apenas homens faziam, porque eles também não se esforçam um pouquinho?!Hoje sou casada, tenho filho, e odeio cozinhar, odeeeeeeeeio, não tenho o mínimo dom pra isso, tudo bem, ninguém gosta de tarefas domésticas, eu também não gosto, mas o resto eu faço na boa, sem reclamar, agora cozinhar pra mim é um bicho de 7 cabeças, não adianta insistir, não nasci pra isso e ponto. E não me sinto nem um pouco culpada, e nem "menos mulher". Inclusive o marido disse que não se importa e prefere que eu seja melhor em outras "coisas".
Quantas vezes já não ouvimos por aí mulheres dizendo que outras mulheres querem tanto se igualar aos homens que acabam se "masculinizando"?! Pois infelizmente acreditam que certos comportamentos são de exclusividade masculina, o que na verdade não é, apenas fomos "ensinados" a pensar assim, um exemplo disso são mulheres serem "mal" vistas por serem livres e bem resolvidas sexualmente, pois desde sempre, mulheres foram conduzidas a encarar o assunto como algo sujo, proibido, que só deve ser feito com o intuito da reprodução, não foram encorajadas a assumirem seus desejos, seus prazeres, nem mesmo foram criadas para terem auto estima, nem pra serem inteligentes. Mulheres foram instruídas para "agradar", por isso exercem tanto esforço pra se encaixarem nos padrões desejáveis, e por isso também, existe tanto ódio entre elas, pois "vence" quem agrada mais. Inclusive, se não me engano, existe um grupo de ajuda para essas mulheres se livrarem desses "fantasmas", desse estilo de vida patriarcal com comportamentos que foram plantados e impostos pra nossa vida.
O mundo seria muito melhor se percebessem que somos sim todos iguais, ainda que cada um com sua "particularidade", mas em relação às nossas vontades e capacidades, somos iguais sim, apenas o que muda é o que se tem por entre as pernas, e a força de vontade de "viver" de cada um.
E em relação a tal pessoa querida, há poucos dias em uma conversa de "café da manhã", surgiu novamente o assunto, e hoje, pra minha felicidade, ela já não pensa mais assim, e admite que às vezes agimos por costume, por que sempre foi assim, mas podemos mudar se nós mesmos nos permitir, somos todos capazes de evoluir. Isso me deixou feliz e aliviada.
Como disse Eve Ensler: "Ser uma garota é tão poderoso que todos somos treinados a não ser assim”. "Pois se você acredita no seu próprio poder, você pode abalar as estruturas da sociedade. E quem está no topo não quer ser incomodado".
E se você concorda ou ao menos consegue compreender isso tudo, bem vindo ao clube das feministas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário